"Frequentemente tenho longas conversas comigo mesmo, e sou tão inteligente que algumas vezes não entendo uma palavra do que estou dizendo" (Oscar Wilde)
"Quando eu me pergunto quem sou eu, sou o que pergunta ou o que não sabe a resposta?" (Geraldo Eustáquio)
Não gosto de psicólogos ou terapeutas. Não consigo conversar com eles, fazer análise, terapia. Eles me irritam! Me irritam quando usam frases feitas, ficando em cima do muro, como quem quer aconselhar sem se comprometer. Me irritam também quando me dizem algo que não quero ouvir. Ninguém gosta de ser julgado, ninguém paga para isso. Mas o que mais me irrita nos psicólogos é quando silenciam. Sou daquelas que precisa de interlocutor. Quer me irritar?! Não me responda, não fale comigo, apenas ouça. Fico doida! Simplesmente não aguento. Preciso de interlocutor! Mas está errado quem pensa que tenho dificuldades em “me abrir”. Na verdade, eu me abro; eu falo muito sobre mim. Às vezes, falo para alguns amigos; mas diariamente, tenho longas sessões de análise comigo mesma. Na hora do banho. No trem no caminho de casa. Na hora de dormir. Falo muito, conto meus problemas, falo dos meus planos, das frustrações, dos amores... e respondo também, sou meu próprio interlocutor. E não há melhor interlocutor do que eu. E como gosto de falar, por vezes até me canso de me ouvir. Faço-me críticas. Dou-me conselhos. Puxões de orelha também. Dou risada dos meus micos ao recontá-los, choro diante das coisas ruins que me aconteceram. Revivo os melhores e piores instantes dos meus dias em intermináveis conversas íntimas. Mas nem tudo que falo são fatos. Também adoro criar histórias do que não vivi. Gosto de imaginar como seria minha vida se eu não tivesse feito as escolhas que fiz. Se em vez de estudar letras, eu tivesse feito medicina. Se em vez de fazer mestrado, eu tivesse ido viajar. Se em vez de aceitar aquele convite no Facebook, eu tivesse escolhido recusá-lo. Escolhas que mudam nossas vidas, que definem quem somos. O que seria da minha vida se minhas escolhas fossem outras? Na tentativa, por vezes desesperada, de responder a essa pergunta, eu crio histórias paralelas. Na maioria das vezes dramáticas, e sempre inacabadas. Talvez por isso também eu deteste tanto os psicólogos. Se eu realmente me abrisse com eles, seria internada como louca. Mas talvez - como alguém já disse por aí - a loucura seja a melhor maneira de encarar a realidade.
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